As más condições de trabalho e de assistência dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) estão entre os principais motivos que levaram os médicos ao protesto nesta terça-feira, dia 25 de outubro. As dificuldades fazem parte da rotina de postos de saúde, de ambulatórios e de hospitais. É, sobretudo, nas salas de urgência e emergência dos prontos socorros que a crise se agiganta e se materializa em longas filas e desespero que afetam tanto os profissionais, quanto os milhões de pacientes que buscam ajuda.
Apesar dos esforços do Serviço Móvel de Urgência (Samu), muitas vezes o salvamento de vitimas de acidentes e crises agudas não vinga por problemas na rede hospitalar responsável por acolher os pacientes. Levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) mostra que o número de leitos de UTI no país ainda esta longe do ideal e o pior: a rede existente está mal distribuída, o que dificulta o acesso a este tipo de suporte em áreas distantes das capitais e dos grandes centros.
Estimativa - Pelo estudo divulgado pela Amib, em cerca de 80% dos estados não há o número de leitos de UTI preconizado pelo próprio Ministério da Saúde para garantir o bom atendimento de sua população. A estimativa do governo é que, em média, há a necessidade de 4% a 10% do total de leitos hospitalares na forma de unidades de tratamento intensivo, o que corresponde a um índice que vai de 1 a 3 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. Mas o contingenciamento é ainda maior nas unidades de alta complexidade, onde de 15% a 25% do total de leitos disponíveis devem ser de UTI.
Os dados da Amib mostram que no Brasil existem 25367 leitos UTI, distribuídos em 2342 unidades deste tipo que funcionam em apenas 403 dos 5.561 municípios brasileiros. Ou seja, este tipo de assistência beneficia principalmente os moradores de menos de 10% das cidades, por conta dos problemas da rede de referencia e contra-referencia.
Protesto - Nesta terça-feira (25), médicos de todos os estados protestarão contra a baixa remuneração e as más condições de trabalho e de assistência oferecidas no âmbito da rede pública de saúde. Em Montes Claros a paralisação será as 11h30, no centro da cidade.
Em 21 estados foram confirmadas suspensões dos atendimentos eletivos (consultas, exames e outros procedimentos) durante todo o dia 25 de outubro, sendo que no Piauí deve se prolongar por 72 horas. Em outros dois estados, este tipo de paralisação será pontual: em Santa Catarina, deve acontecer durante a tarde e durar cerca de uma hora; em São Paulo, deverá acontecer apenas em algumas unidades de saúde, mas ao longo de todo o período. Em outros seis estados, foram programadas manifestações públicas em protesto contra a precariedade da rede pública. Alias, atos do tipo deverão acontecer simultaneamente em todo o país.