O Acidente Vascular Encefálico (AVE), conhecido como derrame, é a principal causa de morte no Brasil e uma das maiores causas de acionamento do SAMU Macronorte, responsável por um terço dos chamados mensais para casos clínicos registrados pela Central de Regulação. De acordo com dados do Ministério da Saúde, após instalado o AVE, 30% dos pacientes morrem, 30% ficam com sequelas graves, 20% com sequelas leves e 20% ficam sem sequelas.
Segundo o cardiologista Cláudio Ernane Mendes Damasceno, médico regulador do SAMU Macronorte, a possibilidade de tratamento do AVE depende do tempo de atendimento, quanto mais rápido, melhor. “Em caso de suspeita da doença, o paciente deve ser levado imediatamente a um serviço médico de emergência”, recomenda.
Cláudio Ernane explica que para prevenir o acidente vascular cerebral é preciso saber quais os fatores de risco da doença. “Em primeiro lugar, vem o histórico familiar. Pessoas cujos pais ou avós tiveram AVE precisam ter mais cuidado. As doenças de base, chamadas de comorbidades, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, também complicam o quadro. Nestes casos, é preciso combater os fatores de risco e fazer exames específicos com acompanhamento médico", orienta.
Segundo o cardiologista, estresse, obesidade, tabagismo e sedentarismo são outros fatores de risco e que podem ser evitados. ”Mas existem outros fatores que são inevitáveis, como idade, sexo, raça e genética, que não dependem de nossa vontade”, observa. Segundo o médico, a partir dos 55 anos de idade a incidência desse tipo de acidente duplica a cada década de idade; até a menopausa, as mulheres têm menor propensão ao AVE que os homens; pessoas de raça negra têm maior tendência à hipertensão, que é um fator de risco ao AVE; e em caso de má formação arteriovenosa, que é um problema genético.
Para todos os outros fatores de risco, Cláudio Ernane diz que é possível tomar uma atitude de prevenção que exige atenção e um esforço de mudança de hábitos e estilo de vida. “Essa atitude pode ajudar no controle de doenças como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardíacas”, completa.
O cérebro é uma estrutura complexa e extremamente sensível e para manter sua estrutura em funcionamento perfeito e contínuo, é irrigado por sangue, através do qual chegam o oxigênio e os nutrientes que o mantém vivo. No entanto, por várias razões, em algum momento esse fluxo de sangue pode ser interrompido levando a uma alteração do funcionamento de determinada área do cérebro. Essa interrupção do fluxo sanguíneo é chamada de isquemia cerebral. Quando isso acontece por certo período de tempo, aquela região do cérebro é lesionada. Essa lesão cerebral é chamada de Acidente Vascular encefálico (AVE).
A isquemia cerebral transitória pode anteceder em dias ou semanas e segundo o cardiologista, conhecer seus sintomas pode ajudar na prevenção. “O corpo fala e seus sinais são muitos claros quando há ameaça de AVE. Os principais sinais de alarme são diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna de um lado do corpo; alteração súbita da sensibilidade com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo; perda súbita de visão num olho ou nos dois olhos; alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar ou para compreender a linguagem; dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente; instabilidade, vertigem súbita intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos. Esses sintomas podem durar minutos ou melhorar espontaneamente em poucos dias. Situações como essas ocorrem em consequência de uma isquemia cerebral, responsável por 85% dos casos de AVE. Os outros 15% são em decorrência do AVE hemorrágico, que ocorre em função de ruptura de vasos sanguíneos que irrigam a região, provocando hemorragia no interior ou em torno do cérebro”, esclarece.
Prevenção - Para prevenir o AVE, o cardiologista Cláudio Ernane dá algumas dicas. “Tenha uma alimentação saudável, evitando o consumo de sal em excesso, gorduras e frituras; coma bastante frutas, verduras e fibras; modere a ingestão de bebidas alcoólicas, controle o peso e não fume”. O médico também recomenda praticar exercícios físicos regularmente, fazer atividades relaxantes como uma caminhada ao ar livre, conversar com amigos, passear com o cachorro para evitar o estresse. Segundo ele, essas atitudes podem reduzir em 60% a chance de um AVE.